Vladimir Demikhov, o cientista russo que criou o cão de duas cabeças


Talvez um dos mais insanos e cruéis capítulos da Guerra Fria foi uma corrida cirúrgica paralela à armamentista. Obcecados em provar que a sua CIÊNCIA! era maior que a do vizinho, Estados Unidos e União Soviética financiaram uma série de experimentos bizarros. Foi assim que em 1954 a União Soviética orgulhosamente anunciou para o mundo o mais recente avanço de sua ciência médica: eles haviam criado o cachorro de duas cabeças.

O Dr. Frankenstein russo se chamava Vladimir Demikhov, um dos principais cirurgiões do país. Ele criou 29 “cães híbridos” costurando a cabeça, ombro e pernas frontais de um filhote nas costas de um animal adulto. A maior parte das cobaias não durou muito devido a problemas pós-operatórios, sendo que o recorde de sobrevivência foi 29 dias.

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A imprensa internacional apelidou os cachorros em suas manchetes de “Sputnik cirúrgico” e em 1959 a repórter da United Press Aline Mosby foi visitar os laboratórios de Demikhov e conheceu Pirat, combo de filhote com pastor alemão, e participou de um passeio junto dos dois.

Os dois animais dividiam o sistema circulatório – Demikhov costurou as artérias – mas obviamente tinham vidas e consciências distintas. Eles dormiam e acordavam em momentos diferentes, o filhote bebia e comia por conta própria, mas na verdade sobrevivia devido ao sistema circulatório do animal maior. Tudo o que ele ingeria escorregava para fora dos corpos por um esôfago aberto.

Demikhov visionava um futuro no qual órgãos e membros extras eram criados em “vegetais humanos”, corpos com morte cerebral, para serem colhidos e implantados em pacientes. Atualmente, os cientistas se dividem sobre se os experimentos de Demikhov tiveram algum benefício científico – alguns dizem que ele foi importante para que o primeiro transplante de coração ocorresse em 1967 – ou se foi apenas um golpe publicitário.

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Fonte: Elephants on Acid