Se Drácula existisse estaríamos extintos em 165 dias


Uma coisa sempre me incomodou em histórias de vampiros: eles tentam se esconder, mas ao mesmo tempo me parecem tão poderosos que poderiam facilmente dominar a humanidade. Por isso gosto histórias pós-apocalipse vampírico, como Eu Sou a Lenda, Dracula: Ano Zero, ou Noturno (The Strain).

A história que eu acho mais ‘realista’ nesse sentido é 2019 – O Ano da Extinção (Daybreakers), filme de 2009 que se passa depois que a sociedade se tornou vampírica e os humanos remanescentes são caçados ou “ordenhados” de sangue ao estilo Matrix.

Um estudo matemático publicado em 2013 na revista Applied Mathematical Sciences mostra que os meus medos têm fundamento. Se o Drácula resolvesse arregaçar as mangas e sentar os dentes na galera, ao invés de ficar procrastinando por séculos em seu castelo, a humanidade seria vampirizada em menos de seis meses.

O estudo “Mathematical Models of Interactions between Species: Peaceful Co-existence of Vampires and Humans Based on the Models Derived from Fiction Literature and Films” (ufa!) determina três possíveis cenários baseados em como os sanguessugas são retratados:

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Modelo Stoker-King: Extinção em 165 dias

Esse modelo aborda vampiros como escritos por Bram Stoker em Drácula e Steven King em A Hora do Vampiro (Salem’s Lot). Ou seja, alimentação quase diária, morte quase certa da vítima e alta probabilidade de infecção por ataque. Um navilzinho suspeito atraca em Londres e dois meses depois já temos 4 mil vampiros. Em 165 dias, a população mundial foi reduzida por 80%, ponto considerado crítico no modelo e a espécie humana está praticamente extinta.

O mais assustador é que, aponta o estudo, esse modelo não é muito diferente dos de possíveis pandemias reais causadas por vírus como SARS ou Ebola.

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Modelo Rice: Extinção em 48 anos

Esse modelo se baseia nos clássicos vampiros de Anne Rice, nos quais um vampiro pode se alimentar de uma vítima deixando-a viva, e precisam só de um pouco de sangue por semana. Também há uma baixa probabilidade de infecção por ataque. “É necessário a permissão da vítima, ela precisa beber o sangue do vampiro e o processo é doloroso e lento, dura diversos dias, portanto acontece muito raramente”. Ainda assim o modelo projeta a extinção humana dentro de meio século.

Esse eu acho um dos cenários mais interessantes para uma narrativa. Uma saga épica de cinquenta anos com a lenta extinção da humanidade, queda gradual das instituições, mudança da visão da sociedade sobre os vampiros: descrença, medo, luta, aceitação, extinção.

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Modelo Harris-Meyer-Kostova: Frágil estabilização e coexistência

Vulgo, “modelo CrepúsculoTrue Blood“. Os vampiros de Stephenie Meyer têm uma relação mais próxima com os humanos, só brilham feito purpurina ao invés de queimar na luz do Sol e podem se alimentar de animais. Em True Blood, os vampiros podem se sustentar com sangue artificial e também são caçados por grupos de humanos que usam seu sangue como alucinógeno.

Esse é um dos modelos mais intrigantes, porque ele leva a uma frágil flutuação populacional entre seres humanos e vampiros. Ele parte do princípio que já existiria uma população de alguns milhões vampiros ocultos ao longo dos séculos antes deles “saírem da tumba” e se revelarem ao mundo em 2001, data aproximada das séries.

Dentro dessas premissas, a população humana chegaria a 9 bilhões em 2046 e cairia para 6,12 bilhões em 2065. A população de vampiros atingiria um mínimo de 289 mil em 2023 e um pico de 397 milhões em 2055, quando retornaria a declinar. “Esse processo se repetiria continuamente, permitindo um sistema cíclico de coexistência entre humanos e vampiros. Essa simbiose, no entanto, é muito frágil e sempre que a população humana diminuir a sede de sangue dos vampiros aumentaria. Ou os caçadores de vampiros podem se tornar muito ambiciosos. O sistema inteiro poderia entrar em colapso para qualquer lado”.

Dói dizer isso, mas se os vampiros existirem, torça para que sejam os de Stephenie Meyer e não os de Bram Stocker.

Via [Atlas Obscura]

Link do estudo completo.